Aquáticos Centro de Mergulho Na sexta-feira, 20 de junho deste ano, foi sancionada uma lei que já nas primeiras horas suscitou opiniões extremas, a favor e contra. Apelidada de Lei Seca, a legislação de tolerância quase zero aumenta as penalidades para qualquer pessoa que dirija depois de consumir bebida alcoólica, mesmo que em quantidades ínfimas.

O fato é que esta lei apesar de polêmica põe fim a uma atraso de mais de 20 anos em relação às políticas de outros países no tocante ao tema, onde também adotam ações similares com o objetivo de diminuir os acidentes de trânsito, preservando assim a vida.

Se deixarmos a polêmica de lado, principalmente quanto ao nível de tolerância adotado no país, que realmente está entre os menores do mundo, teremos que convir que o uso de álcool e direção seja sem dúvidas, uma combinação favorável para o aumento de acidentes de trânsito, e de que algo precisava ser feito, mesmo que de forma tardia e tão rigorosa.

Essa atual polêmica, que hoje em face à quantidade da população envolvida, é comentada desde pequenos grupos até em grandes canais da mídia jornalística, teve há algum tempo atrás,  uma versão bem parecida associada à atividade do mergulho.

Na época o tema girava em torno da solução adotada para trazer segurança aos mergulhadores que praticavam mergulhos profundos, abaixo de 40 metros de profundidade. Onde os efeitos narcóticos do ar respirado a pressões elevadas, causavam os mesmos sintomas que hoje é tema principal das manchetes, a embriagues e suas consequências quando presentes em atividades onde pode ser requisitada ao máximo, habilidade motriz, reflexos e capacidade cognitiva.

Para nivelar um pouco o tema na área do mergulho, já que com relação a polêmica atual, a grande maioria já sabe o que é um porre de "cachaça", vou falar um pouco sobre essa "embriaguez das profundezas".

Muita gente não sabe que o famoso "cilindro de oxigênio" usado nos mergulhos, é na verdade cheio de ar atmosférico, praticamente o mesmo ar que respiramos aqui, só que filtrado e com um pouco menos de umidade. Ou seja, uma mistura gasosa com aproximadamente, 21% de oxigênio e 79% de nitrogênio.

Essa mistura gasosa respirada por nós seres humanos, é vital para a nossa sobrevivência e obviamente inofensiva, só que nas condições de pressões atmosféricas consideradas normais. Durante os mergulhos a pressão no ambiente aquático, aumenta uma atmosfera a cada dez metros de profundidade, fazendo com que o mergulhador passe a respirar os gases que compõe a mistura, com pressões  proporcionalmente cada vez maiores à medida que o mergulho vai ficando mais fundo.

Esse aumento da pressão vai fazendo com que estes gases, apresentem distintamente algumas reações nos mergulhadores. É aquela velha história que afirma que a diferença entre o remédio e o veneno é apenas a dosagem.

O nitrogênio devido as suas características moleculares, e por ser completamente inerte no processo metabólico, além de ter uma maior participação na mistura respirada, 79%, é o primeiro a provocar manifestações ao mergulhador em função da profundidade.

Essa manifestação é a chamada narcose, cujas características se assemelham a da embriagues alcoólica. Assim, quando mais fundo, mais embriagado. É claro que o nível de embriagues e as reações externas desta situação irão se manifestar de forma diferente em cada indivíduo, da mesma forma que acontece com o álcool, tem pessoas que tomam todas e ficam inteiras, e têm outras que tomam três copinhos e já ficam chatas ou ricas.

O fato é que, em uma atividade onde a capacidade de tomar decisões, o poder de julgamento, os reflexos, e a capacidade cognitiva, ficam comprometidos, o risco de acidentes graves é mais do que eminente, tão quanto o de dirigir embriagado.

Por essa razão o mergulho com ar comprimido foi limitado a no máximo 40 metros de profundidade, profundidade essa, onde a pressão do ambiente faz com que a fração do nitrogênio respirada pelo mergulhador fique no limite de segurança, evitando assim a "embriaguez das profundezas". Por analogia é  essa a "lei seca do mergulho".

Sob a legislação da lei seca atual, a única maneira de não infringí-la depois da ingestão de alguma quantidade de álcool, é não dirigir. No mergulho há uma solução "legal" e não tão radical,  para se realizar mergulhos abaixo dos 40 metros de profundidade, o trimix. Que é uma mistura feita com  a substituição de parte do nitrogênio, pelo gás hélio, cujas características moleculares, o torna até sete vezes menos narcótico, nas mesmas condições de quantidade e de pressão do nitrogênio, formando assim um mistura respirável composta de hélio, nitrogênio e oxigênio.

A mistura trimix passou a ser a ferramenta adotada em mergulhos profundos, por permitir ao mergulhador reduzir o fator narcótico, mesmo em profundidades bastante elevadas. E como hoje, logo no início do aparecimento desta solução, houve também muita polêmica, pois os defensores do chamado deep air, ou do mergulho profundo com ar comprimido, alegavam que vencer a narcose era apenas uma questão de treino e condicionamento, e que tudo não passava de uma besteira.

Na verdade o que estava por trás de toda essa rejeição, era uma mudança de paradigma associada a uma maior necessidade de preparo dos mergulhadores para usar esses gases, algum investimento em equipamentos, e no aumento do preço da mistura, que tem sua principal desvantagem justamente neste ponto, devido ao elevado preço do gás hélio.

O importante é que com o tempo, a consciência do fator segurança falou mais alto, fazendo com que hoje já existam diversos mergulhadores com certificação de trimix recreacional, até para mergulhar acima dos 40 metros com intuito de livrar-se completamente dos efeitos narcóticos, mesmo em profundidade que a princípio não seria obrigatório o uso do hélio. É a evolução pela consciência da segurança.

Quem sabe daqui a algum tempo, toda essa polêmica da lei seca da superfície, não passe a ser algo sem valor, frente aos reais resultados da diminuição dos acidentes de trânsito e nas estradas. No mergulho não tinha multa nem apreensão de equipamento e de carteiras, mas foi acontecendo e hoje já estamos bem evoluidos neste ponto. É verdade que ainda tem gente fazendo errado, mas é só uma questão de mais algum tempo, tenha certeza.

Para mais informações sobre mergulhos com trimix, faça seu comentário, fale conosco pelo e-mail info@aquaticos.com.br ou venha nos visitar, teremos o maior prazer em lhe mostrar tudo para você ser um mergulhador seguro e dentro da lei, até mesmo a seca.